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10 de junho de 2011

A LINGUAGEM MUSICAL (continuação - Parte III)



Coral - A igreja desejava que a assembleia de fiéis tomasse parte no canto dos hinos. Nos cantos iniciais, os fieis contentavam-se em cantar a melodia principal em uníssono.  Inevitavelmente , esta seria a base do canto gregoriano.  Neste tipo de coral tradicional, tal como ele se perpetuou até Bach, as melodias são colocadas na parte superior de uma polifonia extremamente simples.  Contudo, desde o final do séc. XVI e até ao séc. XVIII, numerosos compositores alemães (entre os quais Hässler, Schütz, Scheidt e J.S.Bach) trataram melodias de coral no estilo de moteto, em contraponto livre - o chamado coral figurado.
É na obra de Bach que o coral encontra o seu maior expoente : o coral é a alma das Paixões e das Cantatas.  Na sua forma mais simples, apresenta-se como uma pura meditação, sublime, onde muitas vezes o público participa; na sua forma figurada, surge como extensas e complexas construções polifónicas, utilizando não apenas a melodia, mas também o texto do coral.
Desde os finais do séc. XVI, compositores, cravistas e organistaas voltarm-se para o coral - W. Byrd, Frescobaldi, S.Scheidt, Praetorius, J.Pachelbel, Buxtehude.  No entanto, o génio de Bach parece ter esgotado o filão.  Pelo menos os seus sucessores renunciaram a perpetuar um género que parecia ter atingido os seus limites.  Entre as excepções figuram César Franck, J. Brahms, Max Reger e G. Rheinberger.

Para ouvir : Bach - Paixão segundo S. Mateus;  coral final da Cantanta 147 (Jesus Bleibet, Meine Freude); C. Franck - 3 chorales; Brahms e Pachelbel - Choralvorspiele.

Diapasão -  Frequência-Padrão de um som de referência que serve para afinação dos instrumentos.  É também o nome de um pequeno instrumento em forma de forquilha destinado a reproduzir o som de referência escolhido (Lá3).
Foi difícil conseguir uma concordância sobre o valor desta frequência-padrão.  No decorrer dos séculos ( e mesmo de país para país !) este valor variou em proporções espantosas.  As principais causas foram :
- A tendência instintiva dos instrumentistas para subir o tom, na procura de uma sonoridade mais brilhante;
- O fabrico de instrumentos de sopro acima do diapasão adoptado - assim o fabricante procura valorizar o timbre dos instrumentos que faz;
- Considerações puramente matemáticas .
De época para época, estas variações tornavam difíceis de cantar certas obras vocais na sua tonalidade original.  Desta forma foram feitas várias tentativas para  normalizar o diapasão.

1640 - Viena - 458 Hz/Seg.
1700 - Paris - 404 Hz/Seg
1751 - Diapasão de Häendel - 423 Hz/Seg
1780 - Diapasão de Mozart - 422 Hz/Seg
1834 - Estugarda - 440 Hz/Seg.
1859 - Paris - 435 Hz/Seg.
1859 - Viena - 456 Hz/Seg.
1879 - Piano Steinway (E.U.A.)- 457 Hz/Seg.
1885 - Conferência de Viena - 435 Hz/Seg.
1899 - Covent Garden - 440 Hz/Seg.
1939 - Diapasão Internacional - 440 Hz/Seg.
1953 - Conferência de Londres - 440 Hz/Seg. (mantém-se até hoje).

Fraseado - Serve para dar relevo aos períodos, frases e motivos do discurso musical.  É feito através da observação e compreensão das indicações do autor e da pontuação natural.  A maleabilidade do sistema de notação musical não é tal que possa assegurar uma rigorosa tradução das intenções do compositor; a inteligencia musical do interprete é o complemento necessário e indispensável do acto criados,  Na musica vocal, o fraseado imposto pela construção literária não oferece muitas dificuldades, se compararmos com a musica puramente instrumental.  Ainda assim os músicos principiantes ou desatentos cometem quase sempre os seguintes erros de interpretação : dão demasiada importância às virgulas do textos literários (como se estas virgulas tivessem algum significado na notação musical !), e apegam-se demasiado às barras de divisão de compasso.
Para frasear bem é preciso, antes de mais, reconhecer a frase - onde se inicia e onde termina.

Para ouvir : Beethoven - 3ª Sinfonia (1º Andamento) - o 1º tema não se limita como muitos julgam aos 4 primeiros compassos, ele prolonga-se até ao 13º compasso.  Quem não reconhece isto corre os sério risco de tornar a exposição do tema em algo vulgar e insípido.



Maestro Rui Vicente Pinto
                                                                                              para continuar...

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