Fuga - A Fuga é a mais rica das formas polifónicas de composição baseadas na imitação. Parte de uma tema principal e de um ou de vários temas secundários que se chamam contratemas pelo facto de serem apresentados em contraponto com o tema.
Diz-se que uma Fuga é dupla ou tripla quando um ou dois contratemas se prestam a um desenvolvimento fugado com o tema, apresentando todos eles importâncias equivalentes.
Até ao final do séc XVII classificou-se de Fuga o Cânone. A verdadeira Fuga clássica é efectivamente uma ampliação e um aperfeiçoamento de Cânone a quinta, mas distingue-se por duas características principais :
a) A sua estrutura tonal - na "exposição" o Tema e o Contratema surgem alternadamente na mesma tonalidade, apesar do intervalo de quinta que os separa.
Por exemplo se o tema começar por Sol-Dó, a resposta ou contratema começará por Dó-Sol.
b) Enquanto o Cânone é feito de uma única peça, a Fuga é um complexo edifico de temas cujo desenvolvimento é a parte principal. A estrutura é a seguinte :
1. Exposição-tema e contratema, alternadamente até que todas as vozes tenham entrado.
2 Contra-exposição - Contratema seguido de tema uma única vez; episódios modulantes.
3. Exposição na tonalidade relativa - Tema, seguido de contratema; episódios.
4. Passagens pelos tons vizinhos, conduzindo finalmente a uma extensa coda.
5. Estretos - Espécie de
Da Capo, em que a exposição inicial é retomada, sem contratema, mas
precipitando as entradas de tal forma que tema e contratema se aproximam continuamente uma sobre a
outra. (uma série de Estretos pode dar origem a uma demonstração inútil de virtuosismo
contrapontistico).
6.Conclusão - Geralmente na tónica, ouvem-se pela última vez o tema, aa resposta e contratema.
Para ouvir : Beethoven, fuga Final da Sonata Op.106; Bach, Arte da Fuga.
Lied - Palavra alemã que se traduz por canção. Até ao séc. XIV o Lied é representado pelas canções dos trovadores e nos cânticos religiosos. Daí até ao séc. XVII tornou-se polifónico. Lutero e seus discípulos inspiram-se nesta forma de cariz popular para criar o maravilhoso reportório dos Corais.
Quanto ao Lied romântico, de Schubert a Richard Strauss, toda a gente conhece o seu extraordinário desenvolvimento, e de entre esta abundância de obras-primas, às de Schubert reserva-se um lugar de eleição. Na sua maioria os músicos românticos alemães são intelectuais, misturados com o movimento literário contemporâneo. Schubert é uma excepção e é nisso que reside o segredo do seu génio : ele é absolutamente puro. Se musicou os poemas de Goethe, Schiller e Heine logo e que lhes chegaram às mãos, o primordial não eram as palavras mas sim o sentimento poético e o ambiente geral. Ele sublinhava as palavras-chave (amor, morte, dor, alegria, etc.), são estados espontâneos que não se podem exprimir apenas pelas palavras.
Para ouvir : O Lassus, Lider; Mozart, Lieder; Brahms, Volkslieder; Schubert todos os Lieders.
Madrigal - Desde os finais do séc. XIII que Dante escrevia poemas líricos curtos, onde o amor se mistura com o sentimento de natureza, ao que foram chamadas de
Madriali, e destinavam-se a ser cantados. São uma especialidade da Itália central onde Florença, verdadeira capital das artes é já o foco de um primeiro renascimento musical. Os principais autores da primeira
ars nova florentina foram Giovanni da Cascia, Gheradello e Jacopo da Bologna, e legaram-nos belos exemplares deste madrigal primitivo, geralmente a duas vozes com melodia sentimental, com o tenor largamente declamante. No séc.XV, idade de ouro da arte polifonica, a musica italiana teve uma inexplicável pobreza. Agora quem domina são os franco-flamengos (Arcadelt, Willaert). Os italianos só voltam a partir dos séc. XVI Gabrieli, Palestrina, Gesualdo, Monteverdi regressam aos madrigais, geralmente a 5 vozes e num estilo polifónico tradicional. A inovação é dada através das sucessões cromáticas e das modulações entrevistas. O madrigal atinge o seu mais elevado grau de perfeição.
Para ouvir : Monteverdi, Todos os Livros de Madrigais (9 no total, que ilustram na perfeição a evolução deste género, desde a sua expansão até ao seu declínio).
Melodia - É uma sucessão lógica de sons diferentes, cujas relações (Intervalos) permitem uma percepção global formando uma melodia, da mesma forma que uma sucessão de durações corresponde a uma percepção rítmica. Assim, melodia e ritmo são os princípios fundamentais da musica. na notação musical, a melodia é a componente vertical. Esta arte não se ensina, e a sua beleza escapa à analise.
Para ouvir : Monteverdi,
Lamento de Ariana ; Mozart, A Flauta Mágica (as duas árias de Papageno); Beethoven, 2º andamento do 5º Concerto para Piano e Orquestra; Bellini,
A Norma; Schubert, Os Lieder; Verdi,
Va Pensiero do Coro dos Escravos de Nabuco.
Maestro Rui Vicente Pinto
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