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13 de julho de 2011

LINGUAGEM MUSICAL (continuação - parte IV)



Fuga - A Fuga é a mais rica das formas polifónicas de composição baseadas na imitação.  Parte de uma tema principal e de um ou de vários temas secundários que se chamam contratemas pelo facto de serem apresentados em contraponto com o tema.
Diz-se que uma Fuga é dupla ou tripla quando um ou dois contratemas se prestam a um desenvolvimento fugado com o tema, apresentando todos eles importâncias equivalentes.
Até ao final do séc XVII classificou-se de Fuga o Cânone.  A verdadeira Fuga clássica é efectivamente uma ampliação e um aperfeiçoamento de Cânone a quinta, mas distingue-se por duas características principais :

a) A sua estrutura tonal - na "exposição" o Tema e o Contratema surgem alternadamente na mesma tonalidade, apesar do intervalo de quinta que os separa.
Por exemplo se o tema começar por Sol-Dó, a resposta ou contratema começará por Dó-Sol.

b) Enquanto o Cânone é feito de uma única peça, a Fuga é um complexo edifico de temas cujo desenvolvimento é a parte principal.  A estrutura é a seguinte :
   1. Exposição-tema e contratema, alternadamente até que todas as vozes tenham entrado.
   2  Contra-exposição - Contratema seguido de tema uma única vez; episódios modulantes.
   3. Exposição na tonalidade relativa - Tema, seguido de contratema; episódios.
   4. Passagens pelos tons vizinhos, conduzindo finalmente a uma extensa coda.
   5. Estretos - Espécie de Da Capo, em que a exposição inicial é retomada, sem contratema, mas
       precipitando as entradas de tal forma que tema e contratema se aproximam continuamente uma sobre a
      outra. (uma série de Estretos  pode dar origem a uma demonstração inútil de virtuosismo
      contrapontistico).
   6.Conclusão - Geralmente na tónica, ouvem-se pela última vez o tema, aa resposta e contratema.

Para ouvir : Beethoven, fuga Final da Sonata Op.106; Bach, Arte da Fuga.

Lied - Palavra alemã que se traduz por canção.  Até ao séc. XIV o Lied é representado pelas canções dos trovadores e nos cânticos religiosos.  Daí até ao séc. XVII tornou-se polifónico.  Lutero e seus discípulos inspiram-se nesta forma de cariz popular para criar o maravilhoso reportório dos Corais.
Quanto ao Lied romântico, de Schubert a Richard Strauss, toda a gente conhece  o seu extraordinário desenvolvimento, e de entre esta abundância de obras-primas, às de Schubert reserva-se um lugar de eleição.  Na sua maioria os músicos românticos alemães são intelectuais, misturados com o movimento literário contemporâneo.  Schubert é uma excepção e é nisso que reside o segredo do seu génio : ele é absolutamente puro.  Se musicou os poemas de Goethe, Schiller e Heine logo e que lhes chegaram às mãos, o primordial não eram as palavras mas sim o sentimento poético e o ambiente geral.  Ele sublinhava as palavras-chave (amor, morte, dor, alegria, etc.), são estados espontâneos que não se podem exprimir apenas pelas palavras.

Para ouvir : O Lassus, Lider; Mozart, Lieder;  Brahms, Volkslieder; Schubert todos os Lieders.

Madrigal - Desde os finais do séc. XIII que Dante escrevia poemas líricos curtos, onde o amor se mistura com o sentimento de natureza, ao que foram chamadas de Madriali, e destinavam-se a ser cantados.  São uma especialidade da Itália central onde Florença, verdadeira capital das artes é já o foco de um primeiro renascimento musical.  Os principais autores da primeira ars nova florentina foram Giovanni da Cascia, Gheradello e Jacopo da Bologna, e legaram-nos belos exemplares deste madrigal primitivo, geralmente a duas vozes com melodia sentimental, com o tenor largamente declamante.  No séc.XV, idade de ouro da arte polifonica, a musica italiana teve uma inexplicável pobreza.  Agora quem domina são os franco-flamengos (Arcadelt, Willaert). Os italianos só voltam a partir dos séc. XVI Gabrieli, Palestrina, Gesualdo, Monteverdi regressam aos madrigais, geralmente a 5 vozes e num estilo polifónico tradicional.  A inovação é dada através das sucessões cromáticas e das modulações entrevistas.  O madrigal atinge o seu mais elevado grau de perfeição.

Para ouvir : Monteverdi, Todos os Livros de Madrigais (9 no total, que ilustram na perfeição a evolução deste género, desde a sua expansão até ao seu declínio).

Melodia - É uma sucessão lógica de sons diferentes, cujas relações (Intervalos) permitem uma percepção global formando uma melodia, da mesma forma que uma sucessão de durações corresponde a uma percepção rítmica.  Assim, melodia e ritmo são os princípios fundamentais da musica.  na notação musical, a melodia é a componente vertical.  Esta arte não se ensina, e a sua beleza escapa à analise.

Para ouvir : Monteverdi, Lamento de Ariana ; Mozart, A Flauta Mágica (as duas árias de Papageno); Beethoven, 2º andamento do 5º Concerto para Piano e Orquestra; Bellini, A Norma; Schubert, Os Lieder; Verdi, Va Pensiero do Coro dos Escravos de Nabuco.

Maestro Rui Vicente Pinto


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